Oásis resplandecentes de vida, aldeias construídas no interior dos solos ou fortalezas ancestrais feitas de pedra e areia são apenas alguns exemplos das paisagens surpreendentes que o Sahara encerra na região Sul da Tunísia


Assim que se chega à cidade de Tozeur é-se invadido pela brisa quente do deserto, perfumada pelo jasmim que floresce no seu palmeiral luxuriante.

Autêntico oásis de dunas dotado de uma vegetação farta e uma medina peculiar – os edifícios são feitos de ladrilhos em argila e adobe – convida a passeios demorados, mesmo a quem anseia por partir à descoberta dos segredos guardados pelo Sahara.

A zona antiga da cidade, datada do século XIV, foi recuperada recentemente, exibindo edifícios cor de tijolo, ornamentados com motivos geométricos, únicos em todo o país. Mesmo após o anoitecer, parte do comércio mantém as portas abertas (também ao invés do que acontece nas restantes cidades), proporcionando caminhadas “digestivas” após o jantar que, por certo, levarão o visitante junto ao complexo cultural Dar Cheraït.




Aí poderá visitar o museu (exibe uma exposição bastante completa sobre o modo de vida do povo tunisiano, na qual estão incluídas peças de vestuário, joalharia, cerâmica, entre outros objectos) e, ainda, tomar um chá de menta na esplanada de um pátio andaluz com vista para o céu estrelado do deserto (o centro possuiu também um espaço de diversão, o Centro Mil e Uma Noites, entre outras áreas ocupadas com exposições).

A par da medina, é imprescindível a visita ao oásis que desde há séculos alimenta os habitantes da cidade.

Conta com cerca de meio milhar de palmeiras, algumas das quais geram as melhores tâmaras do país – as deglet nour – árvores de frutos e hortícolas, sendo frequentemente apelidado de “jardim”, devido ao colorido e à profusão das espécies vegetais aí existentes. 


Habitada desde há cerca de 10 000 anos, Tozeur deve a sua História aos principais momentos políticos atravessados pelo país: desenvolveu-se inicialmente como sede das tropas romanas; na Idade Média floresceu como entreposto comercial utilizado pelas caravanas que atravessavam o deserto; e, após a chegada dos árabes, tornou-se num centro religioso muçulmano.

Dada a sua situação geográfica e por dispor de um aeroporto internacional e de uma considerável oferta hoteleira, é hoje um excelente ponto de partida para outras paragens do Sul.

Nefta é a localidade vizinha.

Esconde-se por detrás de uma cordilheira caprichosa esculpida pela força das condições climatéricas e pelo mar (há milhares de anos o Mediterrâneo chegava até esta zona hoje dominada pelo Sahara), fazendo, à semelhança de Tozeur, justiça ao nome da região em que está inserida – Bled El Jerid (País das Palmeiras).

O seu oásis exuberante oferece um espectáculo estético comovedor, principalmente a quem chega a partir do Sul estéril, cor de areia, rocha e argila. 

A cidade, além de célebre pela sua produção de tâmaras, foi um importante centro místico sufi, encerrando mais de uma dezena de mesquitas e uma centena de marabouts (tumbas edificadas em honra dos santos muçulmanos), entre os quais se destaca o Marabout Sidi Bou-Ali, palco de fervorosas peregrinações.

O milagre da água
Deixando para trás os oásis de dunas em direcção a Norte, há que atravessar o pequeno lago salgado, o Chott Er-Rahim, indo ao encontro de três oásis de montanha, até há cerca de quatro décadas completamente desconhecidos do mundo: Chebika, Tamerza e Midés. 

O primeiro surge montado no flanco de uma montanha, como uma miragem.

Antigo posto de guarda romano, exibe um verde de tal modo viçoso que o viajante, após ter percorrido quilómetros de estradas tortuosas, emolduradas por montanhas ocre, decerto pensará tratar-se de uma ilusão.

A aldeia antiga encontra-se abandonada (tal como as dos restantes dois oásis) devido às cheias que se abateram sobre a região, em 1969, restando apenas as suas ruínas, que espreitam para o palmeiral e para as pequenas cascatas alimentadas por cursos de água subterrâneos. 

A população de Chebika reside actualmente em novas habitações edificadas mais à frente, sendo que a maioria, apesar de trabalhar nas minas da região, continua a explorar o oásis.

O solo destas pequenas áreas húmidas é tão fértil que permite três níveis de exploração agrícola: o mais alto é reservado às palmeiras, cuja sombra protege as árvores de fruto – figueiras, laranjeiras e romãzeiras, num patamar intermédio –, e o mais rasteiro aos produtos hortícolas.

A Chebika segue-se Tamerza, lugar barricado por detrás de um gigantesco desfiladeiro. À semelhança do oásis anterior, a sua população reside numa aldeia recente, estando as ruínas da anterior confinadas aos ímpetos exploradores dos turistas ou aos devaneios cinematográficos de realizadores de Hollywood. 


Na realidade, toda a região do Sul da Tunísia tem sido procurada por cineastas como Steven Spielberg, George Lucas e Anthony Minghella, que rodaram não só em Tamerza como em Midés, Ksar Ghilane e Matmata cenas dos filmes “O Paciente Inglês”, “Os Salteadores da Arca Perdida” e “A Guerra das Estrelas”.

Para este último foi construída uma aldeia em Onk el D`Jamel (ás portas de Tozeur), sendo o local objecto de peregrinação não só de cinéfilos, mas também de quem procura um cenário diferente para assistir ao pôr-do-sol. 

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